Wednesday, April 18, 2007

O Nome da Lágrima

Hoje convidaram ao meu rosto uma lágrima chamada Saudade.
Engraçado que há muito por lá não passavam lágrimas de qualquer tipo.
Mais frequentada por ventos, lábios, travesseiros e giletes,
Minha face despreparada para o encontro pediu para que não reparasse a bagunça.
Logo fiquei sabendo que a visita havia sido promovida por um certo Sentimento do Fundo,
Antigo conhecido que há tempos não mandava notícias.
E se não dava as caras, paradoxalmente, acabou por dar a cara,
A minha,
Para servir de destino à tal e tão molhada passante.
A lágrima no princípio de seu epílogo,
Contou-me que tinha viajado na velocidade do choro diretamente,
E sem escalas,
Da estação Coração Mole até ali.
E que tudo correra muito bem até chegar ao iris, alfândega do olho,
Onde fora secamente interpelada pelo fiscal Nó da Garganta que,
Em procedimento de rotina, pedira-lhe o “Lacchrimeggio Pappirrs”.
E só depois de pagar a salgada taxa da emoção
Que veio de fato ao físico encontro do mundo.
Atravessou como uma estrela cadente o belo caminho que leva do cílio à ponta do sorriso.
E antes de desaparecer, deixou tatuado em tinta de poeira cósmica invisível,
Seu nome completo, revelando assim o propósito de sua existência.
Assim como um beijo, nasceu em meu coração e morreu em minha boca.
Como que para velar a passagem da irmã pioneira,
Outras lágrimas vieram aos montes formando um novo afluente do mar Mediterrâneo
Reluzente na poética foto dos amigos na pedra em Porquerolles.
Todas elas tinham o mesmo nome e sobrenome.
Chamam-se Saudade da Europa!


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